sexta-feira, 11 de abril de 2014
MADRUGADA
Minha filha amada, o dia hoje não amanheceu igual aos outros que se passaram...O dia hoje está nublado,a brisa ainda não soprou. O sol uniu-se com a minha tristeza e não brilhou... Ontém já passou e hoje vem para me lembrar que não posso esquecer o ontém, mas preciso viver o hoje com coragem para ter esperança no amanhã... Mas como posso viver o hoje se o ontém persiste em ser hoje. Talvez queira me lembrar? Talvez queira me ensinar? Talvez possa aprender... Aprender que desde aquele dia que descobri você dentro de mim fiquei assim... com um turbilhão de emoções inexplicáveis. Me sentia importante. Me sentia guardiã por carregar e proteger em meu ventre vida... um pedacinho de mim mesma. Isso é dádiva de Deus o milagre da vida sendo gerado em mim... Eras tão pequena e me trouxeste tantas alegrias e ainda quando cresceste, continuasse me trazendo alegrias... Foram vinte e um anos e oito meses de cumplicidades e descobertas e muito amor e carinho entre nós! Mas chegou a madrugada que antecedia nossa viagem, eu e seu pai dormíamos para no dia seguinte reencontrar você e seu irmão. Sono interrompido pelo toque do telefone, trazendo a notícia de um acidente, já ocorrido a quatro horas passadas. Então ainda passaram-se mais três até que eu soube que você tinha partido. Querida fui sua mãe e descobri a alegria e a dor da maternidade. Agora só me resta a dor da saudade...26/03/12.
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