sábado, 30 de novembro de 2013

MÁGICO

Você sabe? Lá dentro é mágico. Sim decorado de passado.Sim, Sim decorado de passado de família. Família juntinha. Família com amor. Família de mau humor. Família de bom humor. Família de  café da manhã almoço e janta. Família de trabalho escola e passeio . Família de saúde dor e tristeza. Família de alegria. Família de todo dia. Família de muito rir e pouco chorar. Família de amar. Assim era nossa família antes de nossa menina nos deixar...                                                                                                                   (Rosângela G Andrade)

SERES SINGULARES

Penso as vezes, somos seres tão singulares, tão diferente.Nossas vidas são singulares e somos seres da mesma espécie mas singulares. Mas todos muito diferentes. O que serve para um, já não serve para o outro. O  que é ruim para um, já não é para o outro. O que é bom para um já não é para o outro. O que é dificuldade para um, já não é para o outro. O que é fácil para um, já não é para o outro. Como somos seres tão diferentes. Pergunto a mim mesma sem hipocresia porque comigo? Porque minha filha?  Porque não a de outro qualquer? Daquele que não tem dificuldade. Daquele que vê a facilidade. Daquele que acha tudo simples. Daquele que acha que tudo é só decidir, simples assim. Daquele qualquer um. Que não sente dificuldade. Que não sente tristeza, porque toma decisão de não sentir. Que não sente dor na saudade. Daquele qualquer um que simplifica um sentimento...Porque eu sou do tipo que não consegue simplificar.                       (Rosângela G Andrade)

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

O ESTRANHO PESO

O estranho peso do vazio O estranho peso da presença                   O estranho peso do vazio da alegria  O estranho peso da presença da tristeza  O estranho peso do vazio do prazer  O estranho peso da presença do sofrer  O estranho peso do vazio de ter-te aqui conosco  O estranho peso da presença do querer trazer-te sem poder  O estranho peso do vazio de viver   O estranho peso da presença de viver na morte  O estranho peso do vazio das certezas O estranho peso da presença das incertezas  O estranho peso do vazio de ser  O estranho peso da presença do que restou pra ser  O estranho  peso do vazio de saber quem sou  O estranho peso da presença de quem eu era  O estranho peso do vazio de estar  O estranho peso da presença de fazer de conta que se está...            Esse é o estranho peso de perder um pedaço de nosso ser  uma filha(o)  amada(o)                                                                                                            (Rosângela G Andrade)

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

DIZEM-ME

Sim. Dizem-me aceite. Eu digo não. Não aceito.Não aceito o que é errado. Não aceito o inaceitável. Perdi o que banalizado é. Matéria. Sim matéria é assim que chamam tentando simplificar o que não dá para simplificar. Sim matéria essa que não era qualquer,era valiosa mais que jóia, matéria essa que movimentava-se e hospedava um espírito. Esse que me trazia alegrias, me motivava a sonhar,bordar um futuro, recordar o passado e costurar um presente.                                                                                (Rosângela G Andrade)

QUANDO VEJO

Quando vejo um bebê, volto em minhas memórias. Porque minha menina já foi um bebê. Então aqui não encontro meu bebê e sofro. Quando vejo uma criança, volto em minhas memórias. Porque minha menina já foi uma criança. Então aqui não encontro minha criança e sofro. Quando vejo uma adolescente, volto em minhas memórias.Porque minha menina já foi uma adolescente. Então aqui não encontro minha adolescente e sofro. Quando vejo uma jovem, volto em minhas memórias. Porque minha menina era jovem.Então aqui não encontro minha menina jovem e sofro. É assim . Sim é assim que fica uma mãe que tem a vida da filha roubada. Roubada pela crueldade do ser. Do mal ser...                                  (Rosângela G Andrade)

FILHA AONDE VOCÊ ESTÁ?

Gabi! Gabi! Gabi! Aonde você está? Minha Filha amada aonde você está? Posso falar com você. Mas não posso ouvir sua voz. Posso falar com você. Mas não posso ouvir sua opinião. Posso falar com você. Mas não posso ver sua expressão. Posso falar com você.Mas não posso te abraçar.Posso falar pra você quanto te amo! Mas não posso expressar.Posso falar com você. Mas não posso ver você sorrir. Posso falar com você. Mas não posso ouvir suas gargalhadas.Posso falar com você. Mas não posso sentir seu abraço! Filha querida! Aonde você está? É tão difícil dar seguimento nessa vida de ausência e dor sentida...                                                (Rosângela G Andrade)

domingo, 17 de novembro de 2013

VIDA E ONDA

A vida as vezes é tão cruel , como uma onda no mar , que nos pega de jeito sem jeito . Nos envolvendo e revirando .Nosso corpo com violência . Sem piedade de nossa fragilidade , vai nos arrastando cruelmente. Nosso corpo, nosso rosto , nossa alma lá no fundo das águas esfolando-nos na aspereza da areia, joga-nos para fora. Então quando pensamos estar livres ela volta a nos envolver com crueldade. E novamente nos joga para  fora e somos tomados de desorientação inquietante e sem explicação.                                           (Rosângela G Andrade)                                                                                          

sábado, 16 de novembro de 2013

PRESENTE

Oi minha lindonaaaa! Tempo. Tempo esquisito esse, tempo presente. Sim. Tempo presente . Esquisito tempo presente. Nesse tempo não te encontro, embora eu te procure.Presente é tempo de morte, de afetos e amores raptados por maldade. Presente tempo estranho, tempo de maternidade órfã. Sim órfã. Nesse tempo filhos e filhas são roubados de suas mães, pela crueldade do mal ser. Sim. Do mal vivente que se confunde com gente.                                                   (Rosângela G Andrade)

terça-feira, 12 de novembro de 2013

LOUCURA NATURAL

Gabyzinha meu anjo! Quisera eu escrever coisas mais alegres sobre você, sobre nós. Mas não consigo. Não. Não consigo pois a alegria já não habita meu ser.O que vem de minha alma é loucura natural. Não tenho como desviar. Não. Não tenho como desviar do  sentimento. Não porque ele não está fora ele se hospedou em minha alma. Ele está perto sempre, sempre está no meu ser no meu viver.                                                                                                                            (Rosângela G Andrade)

domingo, 10 de novembro de 2013

TERRITÓRIO

                                           Sentada aqui nesse território baldio, olho sem receios. Tudo está como era antes.Sim tudo antes. Mato a crescer , poeira a levantar da estrada  triste sem destinos. Vejo a solidão com olhar da emoção...(Rosângela G Andrade)

ESTUPIDEZ ACONTECIDA

Nesta estupidez acontecida, nesta  vida existida.                                De tão cruel o acontecido, nem parece a nossa vida.                         Então o que restou? O que restou de tal estupidez ?                            Para mim restou o caos. Uma meia vida e as vezes quase desistida...O que faço agora? Coisas eu faço, com pesar.                     A lugares eu vou, com pesar. O pesar de não te encontrar...                                                (Rosângela G Andrade)

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

NÃO É OPÇÃO É INVASÃO

Tem gente que acha . Que a gente escolhe sofrer. Não escolher não. Não é uma escolha e sim uma invasão.É invasão na alma. É invasão no coração sem opção. A dor de perder um filho é sentença declarada. E quem pode condenar uma mãe sentenciada? Sendo que não são todas por esse mal penalizadas? Minha materialidade humana abriga a alma doída. Sim atou-me na sutura de uma condenação dessa dor sem solução...                                                    ( Rosângela G Andrade)

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

VIOLENTO

É a saudade viva da filha morta. Vida morta nessa saudade viva. Digo porque não respiro na vida morta, mas sim na saudade viva. É violento o meu sofrer. A luta externa me alcança. A água que bate e quebra na rocha me coloca na realidade que experimento.                                      (Rosângela G Andrade)

ALMA PURA

Filha a dois dias atrás, foi o dia  chamado de finados.Dia dos mortos que findaram suas vidas aqui neste mundo. Sim neste mundo, habitado por seres que hospedam crueldade, inveja, egoísmo e outras insanidades em suas almas. E eu fui lá. Aonde?No sepulcro. Não fui cultuar nem orar nem rezar.Não. Fui olhar a história que não acredito ainda ter acontecido.Sim fui lá onde guardaram seu corpo. Corpo que hospedava uma alma linda! Generosa, honesta,solidária, livre desarmada. Sim uma alma livre. Livre do egoísmo da inveja da maldade. Alma limpa feliz de quem se amava e sabia amar. Linda!                                                                                                (Rosângela G Andrade)