domingo, 29 de junho de 2014

FARDO

O viver parece-me que me foi negado pela própria vida. Sim. Sim. Pois me foi roubada a parceria e com ela a alegria. Deixou-me em desarmonia. Levou-me toda a fantasia. Jogou-me dentro da vida vazia. tirou-me a energia. Largou-me um fardo de apatia. Sugou-me o desejo de viver. Mas não consegue impor-me o querer.                                                   (Rosângela G Andrade)

quinta-feira, 26 de junho de 2014

GUARDADAS

Querida da mãe! Sabe? O mesmo sentimento que me faz sofrer...Sim. É o mesmo sentimento que me faz escrever. Sim me faz escrever palavras guardadas e reviradas no coração.É isso. E faz-me desenhar a própria alma inundada da ausência e da saudade. Provocada pela tragédia da maldade...                                                                  (Rosângela G Andrade)

VINTE E SETE MESES

Saudades minha filha amada! hoje faz 27 meses e 19 horas que você foi embora. Nos deixando uma imensa saudade...                                              (Rosângela G Andrade)

terça-feira, 24 de junho de 2014

O PORTÃO

O portão da casa é triste. pois ficou marcado nele a lembrança daquela madrugada fatídica. Morte de filha é terror enraizado nas sombras do inconsciênte. As distâncias da vida. Aos olhos alheios, eu moro no passado. Não te deixo ir.Não te deixo ir. Não.As lembranças marejam meus olhos e fazem lágrimas de saudade escorrerem pela face...E assim te espero.                                                 (Rosângela G Andrade)

domingo, 22 de junho de 2014

PALAVRAS QUE CARREGO

Meu amor! Hoje carrego palavras. Sim carrego palavras recolhidas. Recolhidas no sentimento, na emoção no amor,na dor, recolhidas nos livros que li e nas coisas que vi. Nos bons momentos que vivi e nas adversidades que também vivi.Sim carrego palavras. Carrego palavras de escrever. Carrego palavras de ler. Carrego palavras de linhas preencher. Carrego palavras do coração esvaziar. Carrego palavras de no momento oportuno usar. Carrego palavras de amor. Carrego palavras de saudade. Carrego palavras de dor de entristecer. Carrego palavras pensadas e de fazer pensar. Carrego palavras de fazer lembrar.Carrego palavras de te amar...                                                                               (Rosângela G Andrade)

sábado, 21 de junho de 2014

GABY AMADA

Gaby amada! Eu continuo sem poder falar. Sim.Sim continuo a me calar. Continuo a chorar. É na madrugada. Sim no costurar da noite para o amanhecer, ainda em profundo sono, que em gritos que não são mudos,me faço expressar. Sim me faço expressar de em outras casas e ouvidos meu grito alcançar.Sem poder te abraçar...                                                                                                               (Rosângela G Andrade)

terça-feira, 17 de junho de 2014

IMPOSIÇÃO

Minha amada Gabyzinha. Hoje eu me calo. Sim. Sim eu    me  calo.        Eu me calo por imposição. Mas preciso me expressar. Sim me calo por imposição. Mas preciso da comunicação. Sim me calo por imposição. Sim. Mas preciso falar. O que me causa inquietação. Sim eu me calo por imposição. Mas preciso agir minha indignação. Sim eu    me  calo por imposição. Mas preciso da explicação. Sim eu   me calo por imposição. Mas é muito triste é a própria condenação.                                                                                                             (Rosângela G Andrade)

domingo, 15 de junho de 2014

ESCUROS

De poucos anos pra cá embora eu não possa optar, pois é questão de natureza. Hoje prefiro os dias mais nublados e mais escuros.   Sim bem escuros. Pois estes são acolhedores. Prefiro também os dias de chuva intensa. pois faz bem ao bom recolhimento. Sim, sim. Prefiro os dias de trovões. Sim trovões bem barulhentos. Pois eles conseguem aquietar meu próprio barulho. O barulho incessante da minha alma gritando por você minha Gabyzinha amada...                                               (Rosângela G Andrade)

NÃO SEI NÃO SEI

Estou cansada. Sim cansada, muito cansada. Mas não sei se é:       Não sei se do viver. Não sei se do morrer. Não sei se do fazer.       Não sei se do não fazer. Não sei se do desprazer. Não sei se do entristecer. Não sei se do ser. Não sei se do não ser.                        Não sei se do ter. Não sei se do não ter. Não sei se do ver.           Não sei se do não ver. Não sei se do saber. Não sei se do não saber. Mas sei que tua ausência, minha filha amada faz doer.  Sim faz doer de sofrer. E todos os dias um pouco me faz morrer...                            (Rosângela G Andrade)

terça-feira, 10 de junho de 2014

SEMENTE

Querida! Até hoje ainda procuro vestígios das sementes. Sim das sementes que plantei. Pois assim é dito: Colhemos o que plantamos. Por isso preciso encontrar os vestígios das sementes que plantei. Para entender o motivo o porque colhi uma tragédia tão grande e préviamente. Pois não tenho dúvida que sementes boas eu tinha.                                                                                                                      (Rosângela G Andrade)

segunda-feira, 9 de junho de 2014

CIRCUNSTÂNCIA

Filha! Depois que você partiu... A circunstância me impôs o sobreviver. Hoje vejo a vida pelo avesso. Talvez era como eu deveria ter visto antes de você ir. Hoje vejo a vida pelas costuras. Quando uma pessoa morre, é dito que ela só tirou as vestes. Sim só tirou as vestes da materialidade humana. Mas para a mãe que aqui fica, continua vestida da materialidade humana e com o espírito despido.                                                                                                                        (Rosângela G Andrade)

NO SEU QUARTO

Anjo da mãe! Estou de volta no seu quarto. A chuva cessou. Os pássaros cantam e o gato mia. Honestamente, da chuva eu queria a melodia. Pois esta com certeza me acolhia. Num momento de profunda nostalgia. Na ansiedade que você viria.                                                                 (Rosângela G Andrade)

sábado, 7 de junho de 2014

A MELODIA

Gabi minha pequena! Aqui agora chove, chove intensamente sim e por acaso hoje é sábado e chove muito,muito, chuva incessante.    A chuva faz melodia batendo no telhado, fazendo o cantar dos pássaros e o miado do gato ficarem calados.Sim calados bem calados. Eu estou aqui no escuro do seu quarto,chove e chove intensamente e eu fico aqui a ouvir atentamente a melodia que acalma a minha mente. A melodia que se faz com a chuva no telhado, também faz meu choro ficar calado,apenas lembrando do seu sorriso lindo desenhado.                                                                                                    (Rosângela G Andrade)

quinta-feira, 5 de junho de 2014

É O JEITO

Dormir é o jeito de não sentir...De não sentir a dor de não ver...De não ver a ausência de um amor que se foi...De não ter que sorrir tendo na garganta um nó apertado...Dormir é o melhor jeito pensado de sonhar...Dormir é o melhor jeito pensado de te encontrar...E tendo nos encontrado, relembrar nosso passado...Relembrar nosso passado alinhavando um futuro...Um futuro que não nos chegou...                                                                                                     (Rosângela G Andrade)

terça-feira, 3 de junho de 2014

GRANDE MISTÉRIO

Gabyzinha. A tarde da sua partida, partia serena. Vivemos a hora melancólica da noite que se alinhavava. Nossas bocas choravam baixinho com profunda indignação. As razões nunca foram reveladas é grande mistério que rodeia sua morte.                                               (Rosângela G Andrade)

NÃO VOU ME IMPORTAR

Não vou me importar eu vou chorar. Sim eu vou chorar. Eu vou chorar, sim enquanto minha filha não voltar eu vou chorar sim. Não! Não! Não vou me importar eu vou chorar sem me importar.  Não vou me importar com o tempo. Não vou me importar com o tempo que passou. Não eu vou chorar.Não importa se vai passar dias, meses ou anos, eu não vou me importar eu vou chorar...Enquanto minha filha não voltar...                                                                      ( Rosângela G Andrade)