segunda-feira, 21 de abril de 2014

LEMBRO LEMBRO

Oi meu amor! Essa tarde fui ao centro, mas eu não estava só. Não.As lembranças de sua companhia foram comigo o tempo todo. Sim. O tempo todo, desde o sair de casa. Lembrei sua voz dizendo: ah! mãe você sempre esquece alguma coisa. É verdade eu sempre esquecia mesmo. Lembro de cada momento sentido uma mistura de pressa, ansiedade e alegria. Fui caminhando e revivendo na memória as nossas conversas durante o trajeto. Você dizendo: mãe vamos atravessar, não gosto de passar em frente a boteco, mãe mãe vamos rápido! está vindo um mendigo e eu perguntei: e o que tem? você respondeu: tenho medo de mendigo. Querida! Querida! Você não tinha medo de voar de parapente, não tinha medo de pitbull e tinha medo do mendigo? Como entender os medos.  De cada trecho percorrido ou cada estabelecimento que eu via ou entrava, lembrava de suas falas,você também detestava entrar em bancos, por causa das portas, achava um mico quando travava. Então você dizia: entra você mãe eu  te espero aqui fora. Era bem assim. Enquanto caminhávamos, lembro que nada te passava despercebido, você via tudo e me perguntava: mãe você viu isso ali? você viu aquilo lá? eu respondia: não! Aí você falava: nossa a mãe não vê nada! Era engraçado as vezes, porque teve um dia que você tropeçou, falando olha mãe! eram os pombinhos da praça. Nossa! como era bom quando saíamos juntas. Conversávamos tanto! Você me contava mil planos que tinha para o futuro e tinha uma pressa de chegar até ele. Estava sempre fazendo um cálculo de tudo, sempre pesquisando valores,lugares... ainda queria estudar mais, dizia que estava louca para voltar a uma sala de aula. Em uma de nossas últimas conversas você estava em dúvida entre fazer o curso de administração ou técnica de enfermagem, pensava em trabalhar como socorrista em ambulância, puxa! que ironia! Ah! minha menina quanta saudade! Saudade até da sua indecisão para escolher um calçado, pois era bem cansativo andávamos muito. Então quando cumpríamos nossos objetivos, os quais nos levaram a sair, íamos tomar um café juntas. Como era bom! Meu Deus! como não sentir falta? E mais tarde nossas conversas, se prolongavam na madrugada. Sempre era hora de estarmos juntas.Pois é minha menina! mais o mal alcançou nosso lar. Sim alcançou. Disfarçado de bem. Disfarçado de bem querer. E sem eu perceber te levou a desaparecer, nos deixando sem te ter.                                                                                                                                 (Rosângela G Andrade)

Nenhum comentário:

Postar um comentário