segunda-feira, 12 de maio de 2014

NENHUM DESSES

Querida! Nesses últimos tempos, há muitos dedos invisíveis apontando para mim.Com o pensamento ou talvez até com a fala:-Mas ela ainda não superou? Mas ela já deveria ter superado! Ah! mas ela tem que superar. Mas só tem um porém. Nenhum desses. Mas nenhum desses ainda,teve que seu filho(a) sepultar. Mas nenhum desses ainda, tem só as fotografias do seu filho(a) para olhar. Mas nenhum desses ainda, tem só uma peça de roupa do filho(a) para cheirar. Mas nenhum desses ainda,tem seu filho(a) só na mente para lembrar. Mas nenhum desses ainda, tem que pela morte de seu filho(a) chorar. Mas nenhum desses ainda, tem que hospedar em sua pele a ausência da materialidade humana de seu filho(a). Mas há que pensar ainda: Ela vai chorar ou lamentar a vida inteira? Mas o que é uma vida inteira? Um ano? Um mês? Uma semana? Um dia? Uma hora? Um minuto? Mas quando uma mãe sepulta um filho(a). Ela não vê mais uma vida inteira. Por que ela acreditava que o filho(a) teria essa vida inteira e que de uma hora para outra já não tem. Ainda sendo ele ou ela saudável. Mas nenhum desses ainda, não sabe o que pensa e nem o que fala.Mas que assim continuem pensando e falando, pois não tenho poder de mudar isso.                                                                                                       (Rosângela G Andrade)

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